30/01/2017

Inovações sustentáveis são apresentadas em assentamentos durante a Operação Tocantins

A maior preocupação do Projeto Rondon é que as ações que são desenvolvidas durante uma operação não sejam pontuais e assistencialistas. Para que uma transformação seja realmente efetiva e duradoura, ela precisa promover mudanças sustentáveis, que deixem um legado a longo prazo nas comunidades atendidas pelo Projeto.

Em um assentamento atendido pela Operação Tocantins, chamado Pindorama I, em Pindorama do Tocantins, os acadêmicos da PUC-Rio, Matheus Salomão (Engenharia de Produção) e Pedro Henrique Frayha (Engenharia da Computação), atuam pelo Conjunto B e apresentam soluções sustentáveis para os moradores. Eles foram os responsáveis por uma oficina que ensinou aos assentados a produzir um condicionador de ar ecológico, chamado de Ecocooler, utilizando apenas uma placa de madeira e garrafas PET. Segundo os rondonistas, o funcionamento do aparelho baseia-se na Teoria dos Vasos Comunicantes. “O ar que entra na garrafa sofre compressão e sai mais rápido e mais frio”, afirmam. Instalado nas janelas das casas, o sistema é capaz de resfriar o ar que vem do ambiente externo em aproximadamente 5°C. 

                 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Calor no Brasil é um problema em quase todo lugar. Aqui [em Pindorama do Tocantins], no inverno, se estiver menos de 30°C é surpresa”, explica Pedro, sobre a relevância deste aparelho no assentamento. Com o alto preço da energia elétrica, a solução vem de encontro com a necessidade de soluções de baixo custo, aliadas à reciclagem de materiais e capacitação dos moradores para que eles mesmos produzam seu Ecocooler.

Outro equipamento que os dois universitários vão ensinar a construir é um Forno Solar. O forno é, basicamente, uma caixa, feita com placas de madeira e placas de metal, usando entre elas um material isolante térmico (serragem ou jornal amassado) e coberta por um vidro que permite a incidência da luz solar e retém o calor, numa espécie de efeito estufa. Matheus e Pedro calculam que o modelo que vão produzir consiga atingir entre 90°C e 100°C.

Vale ressaltar a formação de multiplicadores, um dos pilares do Projeto Rondon. Além de capacitar os assentados para produzirem seus próprios Ecocoolers e Fornos Solares e repassarem esse conhecimento, os rondonistas encontraram no marceneiro Jorge Francisco Fernandes um grande parceiro na empreitada. É ele que tem trabalhado nas placas de madeira para o Ecocooler e o Forno Solar. Matheus e Pedro enxergam em Jorge um empreendedor, que pode ter a oportunidade de criar um novo negócio, contribuindo com geração extra de renda. Desta forma, inovações sustentáveis são apresentadas como soluções duradouras para problemas nas comunidades e criam oportunidades para que os moradores se apropriem delas e, replicando-as, melhorem a qualidade de vida.

Inovação de baixo custo em Novo Acordo

Charles Luiz Cortelini, acadêmico de Engenharia Agronômica da IFPR Campus Palmas, está trabalhando na cidade de Novo Acordo, em que a equipe, entre outras atividades, atende o assentamento Primogênito. Nas pesquisas prévias e na viagem precursora, percebeu-se que um problema a ser trabalhado seria a falta de água encanada. A comunidade indicou um assentado que mora um pouco distante do grupo e não conta com energia elétrica e água encanada. Ele precisava se deslocar até um olho d’água que brota em sua propriedade e coletar água em baldes. Era o local ideal para a instalação de um Carneiro Hidráulico, equipamento trazido pelo grupo.

O Carneiro Hidráulico funciona com a força da própria água, que é direcionada para o sistema por gravidade, retida por um sistema de válvulas e empurrada por um sistema de mola, que provoca o chamado Golpe de Aríete, para o encanamento que leva ao reservatório da propriedade. Por não requerer a utilização de energia elétrica, nem de qualquer combustível fóssil, o aparelho se torna uma solução que alia baixo custo, reduzido impacto ambiental e efetividade no funcionamento e resolução do problema. A água pode ser utilizada para dessedentação de animais, irrigação e consumo doméstico.

O Carneiro Hidráulico é produzido industrialmente. No entanto, o valor, em torno de R$ 1.500,00, é inacessível a boa parcela da população brasileira. A ideia dos acadêmicos do IFPR é baratear a tecnologia. O aparelho que será instalado durante a operação, mais os canos de captação, deve custar cerca de R$ 200,00. Charles ressalta a felicidade do morador: “deu pra ver no rosto dele a satisfação quando soube que instalaríamos o aparelho na propriedade e que ficaria lá definitivamente”.

 

Texto: Thiago Furtado

Foto: Adriano Debarba

Ilustração: Lawrence Curbelo

 

Fonte: Comunicação Social UNIVALI

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